As pessoas se acostumaram a agir como robôs, a pensar o que todo mundo pensa, a fazer o que é considerado normal. É mais fácil trilhar um caminho já percorrido por uma multidão à abrir novas fronteiras, a conquistar o seu próprio mundo. Ser comandado é mais cômodo do que fazer suas próprias regras de felicidade e, assim, arcar com consequências jamais imaginadas. O desconhecido causa medo e o medo é o comandante do ódio. Essa sociedade acostumada a impor regras de normalidade está cada vez mais sujeita a mentir e a aceitar essas mentiras como algo necessário. Não há contestação, e sim submissão. É absurdamente normal ouvirmos um monte de mentiras aparentemente inofensivas e outras que, mesmo sendo claramente prejudiciais, são consideradas necessárias para seguirmos o curso que as pessoas esperam. Essas ações só geram mais ódio, pois alimentam uma ilusão que mais cedo ou mais tarde serão desmascaradas gerando desentendimentos.
É fácil acatarmos com o que nossos olhos físicos enxergam: homem é o que nasceu com o órgão sexual masculino e mulher é quem nasceu com o corpo feminino. Homem nasceu para amar mulher e vice-versa. O que cada pessoa sente que é, torna-se secundário. Há quem consiga ser mais egoísta ainda e achar que se um homem tem trejeitos femininos ou se uma lésbica é masculina, é porque estão querendo agredí-lo, exagerando algo que não é normal.
O preconceito e a difamação existe em todos os lugares. Quem nunca fez fofoca sobre aquele colega de trabalho que é meio esquisito, ou aquele mais quietinho, ou aquele que veste roupas estranhas, ou sobre aquele que está acima do peso? Quantos já pararam pra pensar se suas observações foram baseadas em fatos reais e não apenas na sua visão (ou até da imaginação) limitada e partidária dos fatos?
Não é só o homofóbico que precisa mudar, nós também. Como exigir respeito se mal nos respeitamos como um todo?
Não acho que precisamos ser perfeitos em tudo. Estamos numa grande escola da vida e é aqui que precisamos praticar o que ainda está bruto, o que ainda nos incomoda. Se julgarmos um pouco menos as pessoas que estão ao nosso lado já é um grande passo. Se filtrarmos melhor as palavras que brotam da nossa boca, através do discernimento, com certeza estaremos plantando algo raro chamado paciência e também a tolerância. Tantas palavras carregadas de ódio são descarregadas diariamente que perdemos o controle sobre a nossa própria mente. É algo praticamente automático nos defendermos atacando pedras cada vez mais pesadas sobre os outros.
Desde pequenos aprendemos a não levar desaforos pra casa, a responder à altura, a nos niverlar ao nosso inimigo, como se fosse covardia ficar quieto. O que ninguém ensina é a diferenciar o modo de entendermos as coisas que nos são ditas. Uma agressão é, em grande parte das vezes, um pedido de socorro. Socorro por não enxergar o lado bom de ser diferente, de não saber que ninguém precisa pensar igual a ele e mesmo assim ser feliz.
Não nos é falado que, ao nos nivelarmos ao nosso agressor, ficamos vulneráveis a tantas outras coisas ruins que acabamos poluindo mais e mais o nosso coração. Damos vários passos para trás.
Somos seres humanos e como tal somos passionais, impulsivos, injustos nos momentos de raiva, mas não podemos nos entregar aos nossos instintos e deixar para trás nossa evolução, nossa capacidade de refletir, de mudar certos comportamentos que só nos prejudicam.
Precisamos ser capazes de lutar por objetivos bons, de sonhar cada vez mais alto e de dizer não às coisas que não queremos para nossa vida. Façamos laços amorosos com quem acrescenta bons sentimentos, boas idéias, com quem nos respeita.Devemos enviar luz a quem nos fez mal, mas não somos obrigados a continuar convivendo com quem não aceita outras verdades, outros modos de vida, com quem não nos respeita. Ame primeiramente a si mesmo e o resto virá, pois amar ao próximo exige de nós um amor sublime pelo que somos.
Aceite a sua verdade como SUA e não como a de outras pessoas. Não defenda tanto as suas idéias, elas mudarão um dia e isso se chama crescimento. Defenda seu amor próprio e seus amigos, mesmo que eles não pensem como você.
Neste finalzinho deixamos essa reflexão, para que possamos sofrer cada vez menos com o olhar dos carrascos de hoje, e que eles se transformem em verdadeiros irmãos de jornada nesse mundo que pode ser muito mais lindo e livre, do jeito que tem que ser.
Um ano novíssimo em folha, com muito amor e tudo mais que o universo pode dar!
Equipe Miosótis.

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